
Já Vigotsky o individuo se constitui como pessoa, e é fundamental que ele se insira num determinado ambiente cultural. A essas mudanças que ocorrem nele, ao longo de seu desenvolvimento, estão ligadas à interação dele com a cultura e a história da sociedade da qual faz parte. Por isso, e de acordo com os conceitos desenvolvidos por Vygotsky, o aprendizado envolve sempre a interação com outros indivíduos e a interferência direta ou indireta deles. E,
talvez, o maior desafio no relacionamento com o outro não seja a compreensão do
outro, mas a compreensão de si mesmo.
Desta maneira no trato com o outro, precisamos,
ao mesmo tempo, ter a noção de que lidamos com alguém diferente de nós, com uma
história de vida diferente da nossa, com expectativas diferentes das nossas, mas
que também, sente como nós, ama como nós e tem sonhos como nós.
Podemos observar no ser
humano um mundo interior tão rico em representação simbólica, que o que
determina a forma dele agir e interagir diante do mundo externo é a forma como
ele interpreta esse mundo externo, balizado pelas suas representações
interiores.
Na interpretação da sua interação com o mundo exterior, e da
sua relação com o outro, o ser humano se depara com um outro ser ao mesmo tempo
tão igual e tão diferente dele mesmo, precisando aprender a lidar com todo o
conflito gerado pelas identificações que faz com esse outro e pelos sentimentos
escondidos nos recantos mais sombrios da alma, e que são despertados nessa
relação com o outro.
Mais do que servirem para destacar as diferenças
entre cada ser e a impossibilidade de se tornarem seres iguais, e assim
incapazes de conviverem, os conflitos gerados na relação com o outro podem, e
devem, ser aproveitados como ferramentas de transformação e como oportunidades
de auto-conhecimento e crescimento pessoal.
Então para que os conflitos se
convertam em ferramentas de transformação, algumas palavras precisam ser
incluídas de forma sublinhada e negritada em nosso vocabulário, entre elas: a
tolerância; a flexibilidade; o perdão; a aceitação do outro como um ser
imperfeito, aliais, reconhecer que também não somos perfeitos; aprender a
enxergar verdadeiramente o Outro, e não apenas o que nos incomoda no outro;
enxergar além das divergências; aprender que, na maioria das vezes, as pessoas
erram na tentativa de acertarem; aprender a Escutar o outro; aprender que
podemos discordar das opiniões sem precisar discordar das pessoas, e que também,
podemos aceitar a opinião do outro, sem a necessidade de nos sentirmos
diminuídos por isso; aprender que nem sempre é necessário encontrar um culpado;
aprender que só podemos mudar o outro buscando a nossa mudança
primeiro.
Podemos ceder à tentação do caminho mais fácil ... ou aceitar o
desafio da superação, mas sempre sabedores de que somos seres sempre em
construção, e que o único caminho que temos para desenvolver a inteligência
emocional é praticando.
Para tanto fica o pensamento: A sabedoria superior tolera; a inferior
julga; a superior alivia, a inferior culpa; a superior perdoa; a inferior
condena. (Augusto Cury)
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